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Saúde mental perinatal

Depressão pós-parto e depressão puerperal são expressões comumente utilizadas para designar distúrbios mentais que podem acometer a mulher após o nascimento de um bebê. Diante de evidências de sintomas significativos durante a gravidez, a nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) lançada em 2014 pela Associação Americana de Psiquiatria, cunhou a situação pelo termo depressão perinatal – contemplando diversas condições de sofrimento no atendimento psiquiátrico.

Muito além de uma simples troca de expressões, a medida tem ajudado a otimizar o diagnóstico e o tratamento. Com a nova classificação, é possível acompanhar até mesmo os casos que não atendem critérios suficientes para diagnóstico depressivo (casos subsindrômicos), que agravam a doença.

Assim, fadiga, insônia, falta de concentração, desinteresse e desmotivação comprometem a qualidade de vida da mulher e do bebê. O risco, nesses casos, é que tais fatores contribuem para recaídas depressivas ou agravamento do quadro.

É cada vez mais frequente a presença de psiquiatras em hospitais de assistência materno-infantil, o que chama atenção de muitos profissionais para especializações na área. A formação em medicina com residência em psiquiatria, em geral, é suficiente para atender esse público. Ainda assim, a atualização profissional é fundamental para qualificar a atuação da psiquiatria perinatal.

“As informações a respeito da segurança do uso de psicofármacos na gravidez e na lactação precisarão ser periodicamente visitadas, para que as melhores escolhas clínicas sejam estabelecidas’, destaca o psiquiatra Amaury Cantilino, especialista em saúde mental da mulher e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Diagnóstico

Um dos meios mais eficazes de chegar ao diagnóstico é a utilização de escalas de autoavaliação, que são facilmente aplicadas por profissionais das unidades de saúde da família. Ao perceber a presença de sintomas em intensidade significativa, é necessário que o médico encaminhe a mulher ao atendimento psiquiátrico.

Nessa etapa, a entrevista clínica e o exame psíquico normalmente são suficientes para a elaboração da hipótese diagnóstica. “Sobretudo nos casos de psicose puerperal, mas também de depressão perinatal, é necessário descartar a possibilidade de haver alguma condição médica geral que justifique aqueles sintomas”, explica Cantilino. Em casos assim, é comum a solicitação de exames complementares, variando conforme a condição clínica.

Saiba mais sobre depressão perinatal, disforia puerperal e psicose puerperal no atendimento psiquiátrico:

Depressão perinatal

A doença vem acompanhada de sintomas clássicos de depressão, como sentimento de culpa, inadequação, tristeza, ansiedade e, muitas vezes, pensamentos obsessivos.

Entre os fatores causadores da depressão perinatal, é possível apontar estímulos biológicos e sociais que levam ao seu desenvolvimento.

  • Oscilações hormonais: estrogênios, progesterona, alopregnanolona, cortisol e dos hormônios tiroideanos.
  • Mudanças psicossociais: assumir o papel de mãe, cuidados com o bebê, privação de sono, alteração no contexto do casal.

Segundo Amaury Cantilino, durante o atendimento psiquiátrico, o médico deve avaliar cuidadosamente as situações que necessitam de intervenção. “Quando o atendimento especializado for necessário, é importante que seja realizado o mais precocemente possível, já que esses quadros levam a um importante sofrimento e a um impacto deficitário no vínculo mãe-bebê”, alerta.

Disforia puerperal – ou maternity blues

É considerada a forma mais leve dos quadros puerperais e pode ser identificada em grande parte das grávidas. O problema caracteriza-se pelo choro fácil, labilidade afetiva, irritabilidade e comportamento hostil. Algumas mulheres chegam a apresentar sentimentos de estranheza, despersonalização e até elação.

Em geral, os sintomas surgem logo nos primeiros dias após o nascimento do bebê. Mas é no quarto ou quinto dia do pós-parto que alcançam um pico, podendo persistir em, no máximo, duas semanas. O tratamento não é farmacológico. “A abordagem é feita no sentido de manter suporte emocional adequado, compreensão e auxílio nos cuidados com o bebê”, explica Cantilino.

Psicose puerperal

Trata-se do transtorno mental mais grave que pode ocorrer no período maternal. Os sintomas surgem rapidamente e se instalam logo nos primeiros dias do pós-parto. Sinais como euforia, humor irritável, logorreia, agitação e insônia são os mais marcantes.

Aos poucos, a mulher passa a apresentar delírios, ideias persecutórias, alucinações e comportamento desorganizado, desorientação, confusão mental, perplexidade e despersonalização, podendo cometer inclusive neonaticídio.

Um dos principais desencadeadores dos distúrbios mentais perinatais é o sentimento de falta de suporte social. Não à toa, quando familiares e cônjuge colaboram na adaptação da rotina e com suporte operacional, as complicações são minimizadas.

“Como a privação do sono é um dos desencadeados e agravadores mais relevantes desses transtornos, a garantia de seis a oito horas seguidas de sono tem impacto significativo na recuperação”, completa Cantilino. Para tanto, a disponibilidade dos familiares em ajudar é fundamental.

Tratamento

Apesar de outras linhas terapêuticas demonstrarem eficácia no tratamento da depressão perinatal, a terapia cognitivocomportamental (TCC) é a abordagem que apresenta maior corpo de evidências. Além disso, a influência dos fármacos no aleitamento e a ausência de estudos robustos sobre o tema levam psiquiatras a utilizarem as TCCs como tratamento de referência.